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22 de Outubro de 2018

Resenha do livro "Disbioética Volume III: O Extermínio do Amanhã, de Hélio Angotti Neto

Eduardo Luiz Santos Cabette, Professor de Direito do Ensino Superior
mês passado

O texto que segue foi o prefácio que tive a honra de elaborar do livro de Hélio Angotti Neto, "Disbioética III: O extermínio do amanhã", da Editora Monergismo. Link: https://editoramonergismo.com.br/products/disbioetica-volume-iii

SOBRE O LIVRO “DISBIOÉTICA VOLUME III” DE HÉLIO ANGOTTI NETO

Autor: Eduardo Luiz Santos Cabette, Delegado de Polícia, Mestre em Direito Social, Pós – graduado em Direito Penal e Criminologia, Professor de Direito Penal, Processo Penal, Criminologia e Legislação Penal e Processual Penal Especial na graduação e na pós – graduação do Unisal e Membro do Grupo de Pesquisa de Ética e Direitos Fundamentais do Programa de Mestrado do Unisal.

Foi com imensa satisfação e prazer que tive o privilégio de ler em primeira mão os originais do terceiro volume da coleção primorosa de Hélio Angotti Neto, “Disboética”, tomando a liberdade de traçar algumas linhas gerais sobre seu conteúdo, para que outros leitores, que deverão ser muitos, possam ter uma ideia do valor da obra e de sua imprescindibilidade para uma verdadeira formação ética neste mundo relativizado.

Em extremamente feliz insigh surge, no primeiro volume dessa coleção, o neologismo criado por Angotti Neto. A palavra “Disbioética” descreve com completude e maestria o lamentável e deletério surgimento de uma “nova bioética” que, em verdade, se constitui em uma inversão e perversão de tudo aquilo que se possa considerar como ético ou bioético. É essa “Disbioética” que Antotti Neto, prestando a todos nós um inestimável serviço, denuncia em cada um dos artigos que compõem os volumes dessa coleção. É a face horrenda dessa “Disbioética”, marcada pelos sulcos da morte, da desumanização, da crueldade, da falta de empatia com o semelhante, da insensibilidade, do tecnicismo, do materialismo, do cientificismo e, principalmente, da zoologização e reificação do ser humano, que nos é apresentada sem peias.

No Volume III de “Disbioética”, Angotti, logo nos agradecimentos, chama a atenção do leitor para a necessidade de avaliar um homem com a pergunta sobre qual é a luta desse homem. Qual é a sua luta? Se a luta for valorosa, certamente valoroso é o homem que a ela enceta. Como se vê em cada um dos volumes de “Disbioética” e no conjunto geral da obra de Hélio Angotti Neto, há imenso valor da luta e, consequentemente, do homem que a leva a termo. O contato com esse trabalho do autor é reconfortante porque nos dá a exata dimensão da existência de pessoas que ainda não submergiram no caos do relativismo destrutivo e que são capazes de erigir trabalhos de qualidade que podem manter uma centelha de bom senso em meio a tanta insanidade. Oxalá, seja essa centelha o início de um imenso facho de luz a nos guiar, enquanto indivíduos e grupos, de volta à capacidade de crítica e de manutenção de um mínimo que seja de consciência sã. O autor nos diz claramente qual é a sua luta, ela é “contra uma tecnocracia que se julga iluminada e mais apta a cuidar da próxima geração que os pais e mães que amam seus filhos”.

O tema central desse terceiro volume é o “abortamento” e a ideia basilar para abordagem do tema é o enfrentamento dos pseudo – argumentos de defesa, não somente do aborto, mas de outras barbaridades, tais como o infanticídio, a eliminação de deficientes e idosos etc. Em suma, toda a obra é permeada por uma tentativa de despertar a sociedade e cada um de seus membros do pesadelo que produz a confusão entre uma dádiva divino – natural com o exercício de mero desejo ou aversão, enfim, de vontade ou de capricho subjetivo.

Certamente uma das críticas mais relevantes apresentadas por Angotti Neto nessa obra é a da “manipulação verbal”, com seus eufemismos na tentativa (não raramente bem sucedida) de fazer descer goela abaixo das pessoas coisas que provocariam, em seu aspecto verdadeiro e honesto, terrível sensação de engulho.

O item 1 trata da relação entre a defesa do abortamento e a ganância, o desejo incontido de lucro financeiro, disfarçado em “filantropia”. O exemplo mais gritante disso é a mega – organização “Planned Parenthood”, que se identifica como uma instituição “sem fins lucrativos”, mas que movimenta muitos milhões de dólares com a prática do aborto, e pior, com a venda de partes de fetos para os mais diversos fins.

Observe-se que aquilo que Angotti Neto nos ensina já nos agradecimentos da obra, vem a calhar quando nos deparamos com uma instituição como a acima mencionada. Ora, a “Planned Parenthood” teve como fundadora a execrável figura de Margareth Sanger. Por que execrável? Não seria uma palavra forte demais? Não seria um argumento “ad hominem”? Não. Porque descreve a pessoa de acordo com suas credenciais, que, em suma, como propõe Angotti Neto, podem ser avaliadas de acordo com a luta encetada. Pois bem, a luta de Margareth Sanger era em prol do racismo e do eugenismo. Fica a indagação: Como pode uma instituição com uma fundadora dessas, com uma orígem tão ignóbil, tendo por mote uma luta tão abjeta, produzir algo de bom?

O que tais instituições e toda uma teorização voltada para apresentar a morte como solução de todos os problemas, levando ao paroxismo o brocardo latino que diz “mors omnia solvit” (a morte dissolve tudo) produz é um culto ao niilismo. Basicamente, há uma elevação culminante do pecado da “preguiça” perante os desafios que o semelhante nos apresenta com suas alegrias, sofrimentos, enfermidades etc. Sim, porque apresentar a morte ou a eliminação sumária como uma solução, nada mais é do abandonar qualquer intento de realmente enfrentar os problemas. Matar é realmente muito mais fácil do que “cuidar”. É tentador, em termos de “preguiça”, de acomodação, dar ênfase ou mesmo transformar toda a medicina de uma arte curativa (de “cura” no latim, significando cuidar, dar atenção, cuidado, diligência, zelo) para uma prática seletiva. Ao invés de curar, de cuidar, zelar, simplesmente selecionar e descartar. Perceba-se que não é somente a arte e a prática médicas que são contaminadas, mas a própria pesquisa se torna desprovida de incentivo. Para que um médico irá se dedicar à busca da cura de doenças genéticas ou outras que podem ser diagnosticadas “ab ovo” e “solucionadas” com a eliminação via abortamento? Será mais cômodo, satisfará o pecado da preguiça, conformar-se com o desenvolvimento de técnicas de diagnóstico e de eliminação. Afinal, para que cuidar do outro ser humano? Desse ser humano que já não tem mais um rosto, uma face que me desafia, para quê? [1] Para que desafios afinal, se posso optar pela acomodação da eliminação sumária? Assim é que essa preguiça moral acaba sendo a parteira da indiferença, da crueldade e da morte. Bom seria se, ao invés da preguiça, cada profissional (e não somente os médicos), cada pessoa, se dedicasse ao ócio necessário e benfazejo da contemplação e pudesse enxergar no seu semelhante, naquele menor e mais frágil, uma sacralidade, um valor inestimável, digno de todos os esforços e cuidados.

No item 2 Angotti Neto nos fala da “Dor silenciosa” do sujeito passivo do abortamento, dessa dor ocultada com todas as forças pelos defensores dessa prática assassina.

Destaca que toda atenção é dada à mãe, à mulher grávida, olvidando-se do feto. Evita-se a todo custo sequer falar do feto, criança ou pessoa em gestação. Já neste ponto surge uma das excelentes críticas à manipulação da linguagem e consequente desonestidade intelectual abortista. Em substituição da realidade surgem nomenclaturas técnicas assépticas de que são exemplos “produto da gravidez ou concepção”, “concepto” ou até mesmo “consequência indesejada”.

Tudo isso para ocultar com um véu insidioso o fato de que o feto é um ser vivo, um ser humano vivo, o qual, inclusive, tem sensibilidade à dor. Na verdade, conforme demonstra o autor com dados científicos, está comprovado que o recém – nascido prematuro tem maior sensibilidade à dor do que o nascido a termo, considerando que não desenvolveu ainda estruturas de reação a estímulos ambientais que podem provocar (por sua falta) reações dolorosas exageradas. Dessa forma, é muito mais crível que o feto tenha grande sensibilidade à dor do que a conclusão contrária. Some-se a isso o fato de que em termos de efetivo conhecimento do funcionamento e desenvolvimento do sistema nervoso, a medicina engatinha e se move às apalpadelas. [2] Muitos estudos, como por exemplo, o de Benjamin Libet, sofrem hoje a crítica de simplesmente constatar fenômenos ou sinais em certas regiões cerebrais e os ligarem a fatos como tomadas de decisões, sentimentos, condutas etc., tendendo para uma visão determinista do ser humano por construções de liames de causalidade extremamente frágeis, identificando epifenômenos como causas. [3]

Em meio a toda essa manipulação o próprio médico é induzido a desconsiderar o fato notório de que o feto também é um seu “paciente”, o qual, portanto, faz jus a todos os seus cuidados e tratamentos técnica e eticamente recomendáveis.

Essa manobra de distanciamento, de ocultação da verdadeira face do feto como criança, como ser humano vivo, tem por objetivo colocar em prática a dessensibilização que todo distanciamento entre sujeitos provoca. Isso já foi comprovado pela famosa experiência de Stanley Milgram. Na experiência de Milgram os participantes eram convidados a aplicar choques elétricos em outro sujeito, aumentando gradativamente a voltagem. Estando a vítima presente e com contato físico e visual, só 30% prosseguiram cumprindo as ordens de choque até o final. Quando era mantido o contato visual, mas era suprimido o físico (o choque era aplicado somente pelo acionar de alavancas, não necessitando o indivíduo levar a mão da vítima para o dispositivo elétrico) a proporção de obediência aumentava para 40%. Quando as vítimas eram escondidas detrás de uma parede, de forma que só seus gritos eram captados, a obediência aumentava para 62,5%. Por derradeiro, quando até o barulho dos gritos era acusticamente abafado, não sendo perceptível, a porcentagem de obediência subia para 65%. [4] Nada mais evidente do que o fato de que esse processo é muito facilmente induzido com referência ao produto da concepção (ovo, embrião ou feto), oculto no ventre materno, sem voz, sem presença, sem rosto, sem ação, sem nada, a não ser sua inapelável humanidade. Humanidade esta que se oculta com o uso das paredes grossas da manipulação linguística eufemística.

Note-se que a dessensibilização pode facilmente ultrapassar o ser humano no útero e atingir aqueles já nascidos, totalmente desenvolvidos numa típica ladeira escorregadia, onde se começa com aquilo que se apresenta como algo menor para atingir, num ponto à frente, alvos de maior calibre. A história é que ensina isso. A chamada “solução final” nazista não foi aplicada nem apresentada de plano, tudo se inicia com o incentivo ao aborto, à eugenia negativa e desemboca no holocausto que somente foi possível pela banalização do mal. [5]

É interessante, nesse contexto apresentado por Angotti Neto, constatar a imensa contradição, que chega à “esquizofrenia intelectual” no seio da qual “o homem aspira ao papel de deidade e retrocede à sub – humanidade” (senão da sub animalidade). [6] Isso porque, estranhamente, são os mesmos defensores do aborto, da eutanásia, do infanticídio etc. (com suas pretensões de engenharia social e utopia paradisíaca terrestre), os que defendem, por outro lado e contraditoriamente, os chamados “Direitos dos Animais”, justamente por caracterizá-los como “seres sencientes”, ou seja, capazes de prazer e dor, tal como os que denominam “animais humanos”. Mas, se os animais devem ser protegidos, têm direito à preservação da vida e o vegetarianismo é a única opção moralmente aceitável na alimentação, então por que um ser humano estaria abaixo dessa consideração quando estiver no útero, quando for idoso, quando for enfermo ou deficiente ou pelo simples desejo de liberdade da mulher e/ou do homem que veem uma criança como uma “consequência indesejada”? Mais que “sencientes” os seres humanos são “conscientes”, mais que isso, “autoconscientes”, se não em ato ao menos em potência, dependendo da sua fase evolutiva. Onde fica um mínimo de coerência nesse pensamento? [7]

É no item 3 que o autor aborda com maior ênfase o torcer, ou melhor ainda, o distorcer da semântica com vistas à manipulação da linguagem. É de lembrar Stendhal: “Ao homem foi dada a palavra para esconder seu pensamento”. [8]

Atenta para o fato de que os defensores do aborto costumam usar a expressão “Direitos reprodutivos”, mas pouco tratam da reprodução humana e sim da obstaculização dessa reprodução pelos processos de abortamento e infanticídio. Nesse passo, propõe que se siga o conselho de que o “mal precisa ser chamado pelo nome”. [9] E que nome seria esse o correto para os chamados “Direitos reprodutivos” tão alardeados? Esse nome seria “Direito de Extermínio”. Mas, como se sabe, jamais será tal nome dado aos “Direitos reprodutivos”, por uma questão de ser politicamente incorreto.

Outra expressão ilusória, autofágica e insidiosa é o “Direito de decidir”. Como é possível conciliar esse suposto direito humano inalienável da mulher (e eventualmente do homem) de decidir, quando ao feto, com sua destruição irreversível (morte) é negada qualquer possibilidade decisória futura? Novamente estamos diante de um modelo esquizofrênico. Uma “ditadura democrática” em que para que uns tenham o direito de decidir, se retira de outros qualquer opção decisória. Tratando da liberdade de expressão, Fiss nos brinda com o conceito daquilo que denomina de “efeito silenciador do discurso”, ou seja, o exercício da liberdade de expressão somente é legítimo na medida em que não comporte o silenciamento do outro de forma arbitrária. Basicamente, numa concepção democrática não é admissível que “o discurso dos poderosos” venha a soterrar ou comprometer “o discurso dos menos poderosos”. [10] Ora, “mutatis mutandis”, não é admissível igualmente que o suposto “Direito de decidir” dos poderosos tolha totalmente e irreversivelmente o futuro “Direito de decidir” daqueles que nem sequer podem ser chamados de “menos poderosos” ou mesmo “fracos”, mas sim de completamente indefesos, inermes! É notória a falta de compreensão de que, como aduz Unamuno:

“Não há nada mais universal do que o individual, pois o que é de cada um é de todos. Cada homem vale mais do que a humanidade inteira, não adianta sacrificar cada um a todos, a não ser na medida em que todos se sacrifiquem a cada um”. [11]

Observe-se que a crítica de Angotti Neto é por demais pertinente. Esses contorcionismos linguísticos não ferem de morte somente a verdade, a realidade, a sinceridade e a honestidade. Atingem em cheio à própria racionalidade. Como afirma Vitor J. Rodrigues, em seu imperdível “Teoria Geral da Estupidez Humana”, “estupidez não é ausência de inteligência mas resistência ativa à inteligência”. [12]

A estupidificação produzida por essas manipulações linguísticas eufemísticas é o fruto do cultivo da mentira. E como bem alerta Frankfurt:

“O problema com a ignorância e o erro é, evidentemente, que eles nos deixam no escuro. Sem as verdades que nos são necessárias não temos nada a nos guiar, a não ser nossas próprias fantasias ou especulações irresponsáveis e o conselho importuno e inconfiável dos outros. Quando planejamos nossa conduta, portanto, o máximo que podemos fazer é desfiar palpites desinformados e esperar trêmulos pelo melhor. Não sabemos onde estamos. Estamos num voo cego. Podemos avançar apenas tateando nosso caminho, sentindo-o às apalpadelas.

Esse tatear insensato pode funcionar bem por um certo tempo. Mas, no final, é inevitável que ele nos enleie em sérios problemas. Não sabemos o suficiente para evitar, ou para superar, os obstáculos e os perigos que fatalmente encontraremos. De fato, estamos condenados a continuar ignorando-os de todo até o momento em que for tarde demais. E, a essa altura, é claro que tomaremos conhecimento deles apenas por reconhecer que já estamos derrotados”. [13]

A leitura da obra de Angotti Neto é uma preciosa chance de tomar consciência da realidade antes que seja tarde demais. Entretanto, como todo aquele que se esforça por jogar luzes sobre as trevas, enfrenta uma resistência ferrenha, causada pela ignorância e pela contumácia. É lição de Unamuno:

“Não há um só que, chegando a conhecer o verdadeiro e o falso, não prefira a mentira que encontrou à verdade descoberta por outro”. [14]

Nunca é demais retornar àquela questão de chamar o mal pelo nome correto. Em filmes ou na tradição religiosa do exorcismo se sabe que o primeiro passo para sua realização é descobrir o nome correto do demônio. Antes que me acusem de fanático religioso, aviso que trabalho aqui com uma metáfora. Retomando a questão, pode-se afirmar que a manipulação nominal, o uso de eufemismos, evita a visão do mal incrustrado em um ato abortivo, por exemplo. Esse disfarce, esse ocultamento, permite que o mal permaneça escondido e não possa ser extirpado, não possa ser “exorcizado” da sociedade que com ele convive pacificamente e até o acalenta. Retirar esse véu perverso é uma das mais relevantes contribuições da obra de Hélio Angotti Neto.

Como bem aduz o autor no item 4 de sua obra, ao final e ao cabo os argumentos abortistas (eugenistas, eutanásicos etc.) visam incutir uma seleção entre quem podemos ou não matar. Apenas não dizem isso com a clareza que seria necessária numa honesta discussão.

Neste aspecto é interessante trazer à baila a incisiva crítica do penalista Martini, que aponta para a inescondível contradição na concepção protetiva dos seres humanos pelo Direito Penal e pelo sistema jurídico em geral, abrangendo os “Direitos Humanos”:

“Pero lo que quisiera remarcar es que para el derecho penal contemporâneo los únicos seres humanos que no son realmente personas, que carecen absolutamente de derechos humanos, son los chicos entre la concepción y el nascimiento. Sus padres, y a veces basta su madre, pueden asesinarlos por su sola voluntad. Y para este crimen cuentan con la assistência gratuita del Estado. Ellos, los chiquitos, son los verdadeiros enemigos del mundo civilizado”. [15]

Interessante e informativo é o item 5, que expõe o tratamento da questão do aborto no Chile, desde 1989. Naquele país se processou a uma repressão ao aborto, acompanhada de toda uma série de medidas educativas e assistenciais. O resultado foi a redução do número de abortos e de mortes de mulheres. Esse caso concreto comprova que a relação entre mortalidade de mulheres e modelos proibitivos do aborto não é verdadeira. Se lida aqui com um marcador substituto, uma variável colocada no lugar de outra como se fosse a causa, quando, na verdade, não o é. Afirma-se que a proibição é responsável pelo aumento de abortos e de mortes de mulheres no ato respectivo. Na verdade é a falta de cuidado com o ser humano (feto e mulher) que ocasiona ambas as tragédias. Novamente é possível identificar que a solução da morte (via aborto) é o resultado da atuação de uma “preguiça moral”. A facilidade se sobrepõe à eficácia, porque é muito mais fácil defender e promover a liberação do aborto sob a falsa premissa de que é a proibição que o aumenta e causa mortes de mulheres, do que assumir que o problema é grave e demanda esforços em termos educacionais e assistenciais ao lado da proibição. Simplesmente liberar a matança de fetos é muito mais fácil do que intentar promover uma mudança cultural para melhor. Afinal, nada mais verdadeiro do que a passagem de Dickens em seu imortal romance:

“Liberdade, Igualdade, Fraternidade ou Morte; a última, muito mais fácil de conceder do que as outras”. [16]

O item 6 é intitulado “O Extermínio do Amanhã I” e consiste em uma avassaladora resposta aos supostos “argumentos” pró - aborto postos a público por uma advogada em um artigo. O autor informa os leitores de que não houve réplica, mas nem poderia haver, vez que a resposta de Angotti Neto é acachapante sob todo e qualquer ponto de vista (intelectual, histórico, argumentativo, lógico, filosófico, jurídico, racional, estatístico, informativo etc.).

O que marca a escrita neste item sob comento e o torna imperdível para o leitor, é a ironia fina e o bom humor com que o autor aborda as questões, mesmo diante de uma discussão tão tenebrosa. Angotti Neto demonstra, com clareza solar, o ridículo dos argumentos sustentados pela articulista. E ridículo aqui deve ser entendido no seu mais legítimo sentido etimológico, de “ridiculus” (latim), com significado de “tolo, merecedor de riso”.

A autora criticada por Angotti Neto não foge do padrão de manipulação da linguagem ao referir-se como “interrupção da gravidez” ao ato de abortamento. Por que não diz com todas as letras aborto ou destruição irreversível de uma vida humana, seja intrauterina ou não. E neste ponto é impossível não transcrever as demonstrações irônicas e bem humoradas do autor quanto a essa manipulação odiosa:

A articulista afirma em dado momento em seu texto “não ser exatamente a favor do aborto, mas da autonomia da mulher” (sic). E Angotti Neto desmascara o cinismo dessa afirmação comparando-a à seguinte: “Não sou exatamente a favor do estupro, sou a favor de que cada um obtenha suas formas de prazer”. E ainda: “É como anunciar a alguém que está prestes a ser torturado que tudo que será feito consiste numa extração técnica da verdade mediante a estimulação neural sensitiva”. Eu acrescentaria: “Não sou exatamente a favor do homicídio, mas de que as pessoas possam afastar definitivamente de suas vidas todos aqueles que lhes causam algum incômodo”.

Disserta o autor no item 7 sobre a “Mediocridade moral e o Hedonismo Abortista”. Pode-se afirmar que neste ponto Angotti Neto foi por demais benevolente e tolerante. Considerar como “medíocre” a suposta “moral” que defende o abortamento é ser por demais complacente. Ingenieros, ao descrever imageticamente a sociedade como uma grande nau, cujas velas são os medíocres e os pujantes ventos que a fazem avançar são os idealistas que superam a mediocridade, reconhece que algum valor, ao menos de estofo, resta aos medíocres. [17] A etimologia nos leva ao latim “mediocris”, significando aquilo que é o “médio”, “mediano”, “ordinário” ou “comum”, aquilo que não se destaca. No caso dos abortistas, essa comparação imagética ou mesmo a origem etimológica não é compatível. Não há valor algum, apenas desvalor. A “moral abortista” não está na média, está abaixo da média e longe de não se destacar, se destaca, só que de forma negativa e malsã. Talvez fosse mais adequado qualificar tal “moral”, de uma moral de “ralé” (não no sentido daquilo que é popular, mas no sentido pejorativo, daquilo que é grosseiro, chulo, rústico). Muito mais próximo do “Zé Ninguém” de Reich do que do “Homem Medíocre” de Ingenieros. [18]

A prova da benevolência do autor na mera qualificação de mediocridade é por ele mesmo dada no texto, quando narra a proibição na França de uma propaganda que mostrava pessoas com Síndrome de Down felizes, demonstrando que a alteração cromossômica não é sinônimo de desgraça. A proibição se dá porque, na mentalidade deturpada do abortismo, essa demonstração de felicidade e plenitude de vida dos portadores e seus entes queridos poderia “traumatizar” (sic) as mulheres que abortaram pelo motivo de que a síndrome foi prematuramente detectada durante da gravidez. Isso não chega à mediocridade, está muito, muito abaixo dela, próximo de algo como matar os próprios pais para depois alegar ser carente e precisar de auxílio devido à orfandade. Isso é a decadência moral elevada ao grau máximo.

Ao analisar no item 8 a questão da “Submissão imoral à autoridade”, o autor enfoca a experiência de Milgram, sob um ângulo um pouco diverso daquele que foi exposto linhas acima. Não destaca a questão da produção do distanciamento dessensibilizador, que é, sem dúvida, um dos aspectos do experimento. Mas, o aborda sob o ângulo, também pertinente, da demonstração de que, sob certas condições, os seres humanos são dirigíveis pela obediência cega a uma autoridade. Efetivamente, não é somente o distanciamento, a invisibilidade do outro, que atua para a inflição de supostos choques elétricos nas pessoas de forma acrítica. Também colabora nessa situação o poder da autoridade exercida pelo cientista que comanda a experiência. [19]

Outro experimento que também demonstra a possibilidade de impor um pensamento único com alguma facilidade, explorando fraquezas do psiquismo humano, é a de Solomon Asch, também exposto pelo autor. Nesse caso, Asch contratou atores para emitirem opiniões harmônicas sobre certos assuntos, colocando em meio deles um indivíduo alheio a esse fato. A experiência comprovou que as pessoas, por mais estapafúrdias que fossem as ideias grupalmente advogadas, tendem a aderir, ainda que aos poucos, ao entendimento grupal. Ocorre uma espécie de “acomodação ao grupo”. [20]

No ambiente cultural que se vive na atualidade, com o predomínio de ideias impostas pelo barulho incessante de uma minoria que se autointitula como “elite intelectual” (campo para que grasse o “argumento de autoridade”), a tendência ao dirigismo das consciências em muitas questões, inclusive na do aborto, é muito grande. Torna-se difícil e constrangedor o questionamento da “intelligentsia” totalitária, moldada, especialmente no Brasil, em consonância com a orientação gramsciana de conquista pela hegemonia ideológica. Essa hegemonia se obtém exatamente pela ascendência dos chamados “intelectuais orgânicos” sobre o pensamento da massa, que será, a partir de então, simplesmente modelada e adestrada. [21] Nada mais evidente do que a conjugação da autoridade e da acomodação ao grupo, ao pensamento único ou hegemônico. Torna-se muito difícil emergir ante essa estrutura sutilmente totalitária e há uma forte tendência ao desenvolvimento daquilo que Bernardin chama de “dissonância cognitiva”, ou seja, a “contradição entre dois elementos do psiquismo de um indivíduo”. [22] Isso se dá pela pressão grupal e da autoridade, fazendo com que a pessoa procure se comportar de forma “adequada” ao pensamento hegemônico, a fim de evitar atritos. Essa conduta reiterada no dia a dia acaba produzindo uma espécie de lavagem cerebral por força de uma racionalização que irá atuar como justificativa para o ato de violação das próprias convicções. Conforme descreve Bernardin:

“A experiência prova que um indivíduo numa situação de dissonância cognitiva apresentará forte tendência a reorganizar seu psiquismo, a fim de reduzi-la. Em particular, se um indivíduo é levado a cometer publicamente (na sala de aula, por exemplo) ou frequentemente (ao longo do curso) um ato em contradição com seus valores, sua tendência será de modificar tais valores, para diminuir a tensão que lhe oprime. Em outros termos, se um indivíduo foi aliciado a um certo tipo de comportamento, é muito provável que ele venha a racionalizá-lo” (grifos no original). [23]

Novamente é preciso destacar que o Brasil e o mundo precisam cada vez mais urgentemente de obras e personalidades como as de Hélio Angotti Neto, capazes de emergir dessa hegemonia hipnótica e, com isso, ajudar a sociedade e cada um de seus membros, a também realizar gradualmente esse processo de superação.

No seguimento, o item 9 trata de uma expressão que se tornou corriqueira na discussão enviesada sobre a suposta legitimidade do aborto. Refere-se ao hábito (ou melhor, vício) de chamar o ovo, embrião ou feto de “amontoado de células”. Muito bem descreve Angotti Neto como “fantástica” tal expressão. “Fantástica”, no sentido mais profundo de “fantasiosa”, “ilusória”, meramente “retórica” (em um péssimo sentido). Nada mais do que a velha manipulação linguística dessensibilizadora, a qual não se importa com a absurdidade do que alardeia. Ora, como bem esclarece o autor, um “amontoado” pressupõe algo totalmente desorganizado, jogado ao leo, o que radicalmente difere da estrutura do ovo, embrião ou feto, a qual é marcada pela complexidade, organização e até individualização (não somente a embriologia demonstra isso à fartura, como também os mais avançados estudos genéticos). Nessa toada, eu, qualquer leitor e inclusive os autores dessa expressão espúria, podem ser definidos como um “amontoado de células”, já que não há o menor critério para o uso das palavras. Ademais, nesse imbróglio surge o “argumento” de que o feto seria um “indivíduo”, mas não seria “independente”. A grande questão posta é: afinal, que ser humano na face da Terra é “independente”? Desconfio fortemente que essa sugestão (de que qualquer humano, em qualquer estágio, não passe de um “amontoado de células”) não seria algo tão repulsivo para boa parte dos defensores do abortamento que tendem a escorregar na ladeira para o eugenismo negativo generalizado.

Na obra de Angotti Neto, o leitor poderá se informar adequadamente sobre cada etapa do desenvolvimento do ser humano no álveo materno, de forma detalhada e técnica, desmistificando a absurdidade acima comentada.

Mais uma vez o autor nos brinda com uma passagem bem humorada, usando a exposição de Ben Shapiro, demonstrativa da manipulação linguística, ao indagar se alguém seria estúpido o suficiente para noticiar que uma sonda espacial localizou um “amontoado de células” e não “vida” em Marte. Ah, mas aqui estaria em jogo uma respeitabilíssima conquista da ciência e da técnica aeroespacial e não somente um ser minúsculo e dependente que parasita o útero de uma mulher (essa é a visão abortista conjugada com um feminismo tosco). O cientificismo em voga está abrigado pelo “politicamente correto”, a vida humana não (o que o “politicamente correto” preza não é a vida humana em si, mas as vontades, os caprichos de alguns seres humanos). Interessante notar que a ciência sem vida humana sobre a Terra jamais existiria. Então, pode-se afirmar com segurança que há uma tremenda inversão causal e cronológica de valores.

A importância do estudo das humanidades ligadas à educação liberal para a formação do médico (e eu acrescentaria, para a formação de qualquer profissional, de qualquer ser humano), é bem destacada no item 10. Ali se produz uma crítica ferrenha e bem posta à tendência tecnicista de adestrar indivíduos que têm a característica marcante de “saber cada vez mais sobre cada vez menos”. Nesse processo se perde a visão do todo e o cartesianismo analítico e divisor é levado ao paroxismo. O ponto a que se chegará em breve, se nada for feito, será o de não se saber mais remontar as peças do mundo atomizado em nichos de saberes isolados e, no mínimo, estéreis, senão destrutivos.

Vale lembrar o escólio de Lima Vaz em opúsculo que tematiza a “Cultura e a Universidade”:

“O homem regride a estados e comportamentos que podem ser chamados de infra – humanos quando permanece estranho às significações do mundo cultural que o envolve”. [24] E prossegue com a definição de “cultura”, segundo De Waelhens:

A cultura é “o processo social e histórico constituído pelas relações de conhecimento e transformação do homem como natureza e pelas relações de reconhecimento do homem com o outro homem, processo que cria um mundo humano, e através do qual o homem se realiza como homem neste mundo humano”. [25]

Impossível não lembrar aqui da conhecida parábola intitulada “Os Quatro Sábios”. Segundo consta, havia quatro indivíduos que eram conhecidos por deterem uma enorme quantidade de saberes. Um deles era considerado um pouco menos dotado de conteúdo prático e erudição, mas se destacava pela sua capacidade de compreensão. Esses homens cultos resolveram se unir e viajar juntos para discutir entre si, compartilhar seus conhecimentos e divulgá-los. No entanto, logo os três mais célebres entenderam que aquele que tinha como destaque a virtude da compreensão não detinha, ao seu nível, o mesmo cabedal de informações e saberes. O convidaram a partir, mas ele insistiu em seguir o grupo. Foi então permitido, mas já não participava dos conciábulos “sapienciais”. Um dia encontraram uma carcaça de leão. Os três homens cultos, com seus saberes, pensaram que podiam reviver o animal e começaram a aplicar suas artes e técnicas. O homem compreensivo, humildemente, os avisou de que aquela não era uma boa ideia, já que o leão, tão logo recuperado, os devoraria. Mas, os orgulhosos homens cultos não lhe deram ouvidos e ressuscitaram o leão. Enquanto isso, o compreensivo se abrigou oculto no topo de uma árvore, de onde assistiu tranquilamente, embora com pesar, seus três companheiros serem devorados e a fera ir embora. Ele foi o único que sobreviveu nessa expedição, retornando à sua cidade. [26]

Essa bela parábola ilustra a importância das humanidades liberais na formação do homem, conforme defendido por Angotti Neto. Observe-se que a palavra “compreensão” usada no texto deve ser interpretada em seu sentido etimológico (“com” – junto + “prehendere” – prender, reter). Quem realmente tem a virtude da “compreensão” não é aquele que se isola, se insula em um aspecto do saber. A “compreensão” tem o conhecimento não como fim, mas como caminho para a sabedoria que “apreende” o mundo objetivo e subjetivo, abstrato e concreto, físico e metafísico, enquanto totalidade, não se deixando levar por reducionismos e nem por generalizações indutivas injustificadas.

Bohm fala sobre a “Fragmentação e Totalidade”:

“É uma questão que atualmente deve ser considerada, tendo em vista que a fragmentação já se espalhou completamente, não apenas na sociedade, mas especialmente em cada indivíduo; e isso conduz a um tipo de confusão generalizada da mente, que por sua vez, cria uma série infinita de problemas, interferindo com a nossa clareza de percepção de maneira tão grave a ponto de bloquear nossa capacidade de os resolver. (...), cada ser humano individual tem sido fragmentado em um vasto número de compartimentos separados e conflitantes, de acordo com seus desejos, objetivos, ambições, lealdades e características psicológicas diferenciadas etc., a tal ponto que se torna evidente que um certo grau de neurose seja inevitável”. [27]

Essa totalidade que falta ao homem hodierno em geral é perceptível até mesmo na construção da linguagem, não na sua manipulação, mas na sua construção natural, fruto da sabedoria milenar:

“De forma instrutiva, é importante considerar que a palavra ‘saúde’ encontra sua raiz na palavra ‘são’, que significa ‘inteiro’ (total, completo): isto é, para ser saudável é preciso estar inteiro, que acredito que significa o mesmo que shalem em hebraico. Do mesmo modo, a palavra ‘sagrado’, em inglês holy, vem da mesma raiz da palavra ‘inteiro’ (completo, total), em inglês whole. Tudo isso indica que o homem sempre sentiu que a totalidade ou a integridade é uma necessidade absoluta que faz com que a vida seja digna de ser vivida. Mesmo assim, com o passar do tempo, ele vem vivendo em total fragmentação”. [28]

Em seguida, coerentemente com a temática acima, no item 11, o autor lembra os ensinamentos de William Osler a respeito da “medicina como estilo de vida”. Um estilo de vida que deve ser marcado pelo estudo contínuo (formador e informador), pela disciplina e pela retidão de caráter.

O item 12 trata da “Tranquilidade Médica”, que se consubstancia numa postura de equilíbrio e controle emocional frente ao atendimento do paciente, especialmente nas situações de emergência. Essa tranquilidade não pode jamais ser confundida pelo profissional, nem deve ser ensinada aos iniciantes como sinônimo de frieza ou indiferença perante o ser humano que está sob seus cuidados. Lembremos que a indiferença é retratada por Dante como um vício digno de desprezo até mesmo no inferno. [29] A tranquilidade com que o médico deve lidar com seus desafios se traduz naquilo que Angotti Neto descreve como “Equanimidade”, ou seja, um controle emocional que não implica, porém, na perda da sensibilidade. Ao reverso, a luta interna para a manutenção desse controle visa à beneficência do ser humano sob cuidado, assim como a transmissão a este de segurança e conforto durante o ato médico.

O enfrentamento sem ingenuidade daqueles que não são dados à dialética ao estilo aristotélico (aquela que visa à busca da verdade), mas sim à erística descrita por Schopenhauer (o ímpeto de ganhar a discussão) [30] é ensinado no item 13, pois num debate, especialmente nestes termos, é imprescindível o conhecimento da erística, da retórica e a capacidade de detectar más intenções e armadilhas argumentativas. A desatenção para este ponto pode fazer com que a boa vontade se transforme em ingenuidade e estultícia.

Termino essas breves considerações, destacando que a obra de Hélio Angotti Neto que ora vem a público é de extremo relevo para uma visão crítica do tema do aborto e da ligação entre as humanidades e a arte e prática médicas. Não somente isso. Trata-se de um trabalho que nos desperta para o valor da humanidade do homem e das conquistas da cultura, que nos afastaram, durante séculos, do estado de natureza selvagem e que, sob um disfarce de falsas erudição e sapiência, tende a, sutilmente, ser desconstruída, sem que nada de útil seja posto em seu lugar. Muito ao reverso, retrocedendo a sociedade humana à selvageria, à barbárie e à animalidade.

As fontes bibliográficas apresentadas pelo autor também revelam pesquisa e conhecimento aprofundados de toda temática abordada no correr da obra, de maneira que suas assertivas se acham em solo firme. E foi nesse esteio seguro que foi possível tecer essas considerações, incluindo alguma reflexão própria, mas em constante dívida para com o trabalho de excelência de Angotti Neto. Afinal, com razão nos ensina Pernoud a validade do questionamento milenar: “Que adquiriste tu que não tenhas recebido”? [31] Agradeçamos e esperemos que o autor, que já nos presenteia com várias obras, continue iluminando nossos caminhos e nos permitindo a aquisição de informação e formação de diferenciada qualidade.

REFERÊNCIAS

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[1] Lembremos Emmanuel Lévinas e sua concepção de “alteridade” enquanto responsabilidade de cada homem pelo “outro”. Cf. LÉVINAS, Emmanuel. O humanismo do outro homem. 3ª. ed. Petrópolis: Vozes, 2009, “passim”.

[2] Cf. PENROSE, Roger. A mente nova do Rei. Trad. Waltensir Dutra. Rio de Janeiro: Campus, 1991, p. 417 – 496.

[3] TEIXEIRA, João de Fernandes. Filosofia do Cérebro. São Paulo: Paulus, 2012, p. 35 – 36.

[4] MILGRAM, Stanley (1963). "Behavioral Study of Obedience". Journal of Abnormal and Social Psychology. 67 (4): 371–8. doi:10.1037/h0040525.

[5] Cf. BAUMAN, Zygmund. Modernidade e Holocausto. Trad. Marcus Penchel. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1998, p. 89. ARENDT, Hannah. Eichmann em Jerusalém – Um relato sobre a banalidade do mal. Trad. José Rubens Siqueira. São Paulo: Companhia das Letras, 1999, “passim”.

[6] RUSHDOONY, Rousas John. Esquizofrenia Intelectual. Trad. Fabrício Tavares de Moraes. Brasília: Monergismo, 2016, p. 22.

[7] Para uma visão geral dessa espécie de ideias estapafúrdias: SINGER, Peter. Ética Prática. Trad. Jefferson Luiz Camargo. São Paulo: Martins Fontes, 1998, “passim”. IDEM. Libertação Animal. Trad. Marly Winckler. Porto Alegre: Lugano, 2004, “passim”. SINGER, Peter, MASON, Jim. A Ética da Alimentação. Trad. Cristina Yamagami. Rio de Janeiro: Elsevier, 2007, “passim”.

[8] STENDHAL [Henry Beyle]. O Vermelho e o Negro. Trad. Maria Cristina F. da Silva. São Paulo: Nova Cultural, 1995, p. 147.

[9] KARNAL, Leandro. Pecar e Perdoar. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2014, p. 43.

[10] FISS, Owen M. A Ironia da Liberdade de Expressão. Trad. Gustavo Binenbojm e Caio Mário da Silva Pereira Neto. Rio de Janeiro: Renovar, 2005, p. 48.

[11] UNAMUNO, Miguel de. Do sentimento trágico da vida. Trad. Eduardo Brandão. São Paulo: Martins Fontes, 1996, p. 44.

[12] RODRIGUES, Vitor J. Teoria Geral da Estupidez Humana. 4ª. ed. Lisboa: Livros Horizonte, 1997, p. 12.

[13] FRANKFURT, Harry G. Sobre a Verdade. Trad. Denise Bottmann. São Paulo: Companhia das Letras, 2007, p. 69 – 70.

[14] UNAMUNO, Miguel de. Op. Cit., p. 52.

[15] MARTINI, Siro M. A. De. La impunidad em Argentina (Entre Linchamento, Derecho Penal del Enemigo y Derecho Penal Realista. In: IDEM (comp.). Em Defensa del Derecho Penal. Buenos Aires: Educa, 2008, p. 24.

[16] DICKENS, Charles. Um conto de duas cidades. Trad. Sandra Luzia Couto. São Paulo: Nova Cultural, 1996, p. 288.

[17] INGENIEROS, José. O homem medíocre. Trad. Lycurgo de Castro Santos. Campinas: Edicamp, 202, p. 71.

[18] REICH, Wilhelm. Escute, Zé – Ninguém. Trad. Waldéa Barcellos. 2ª. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2007, p. 11. O “Zé – Ninguém” de Reich é aquele que “quanto menos entender alguma coisa, mais firme é sua crença nela. E, quanto melhor entende uma ideia, menos acreditará nela”.

[19] Mais especificamente sobre tal aspecto: Cf. MILGRAM, Stanley. Obedience to Authorithy. New York: Harper & Row, 1974, p. 47.

[20] Asch, S.E. (1951). Effects of group pressure on the modification and distortion of judgments. In H. Guetzkow (Ed.), Groups, leadership and men (p. 177–190). Pittsburgh, PA: Carnegie Press.

[21] Cf. SCRUTON, Roger. Pensadores da Nova Esquerda. Trad. Felipe Garrafiel Pimentel. São Paulo: É Realizações, 2014, p. 129.

[22] BERNARDIN, Pascal. Maquiavel Pedagogo. Trad. Alexandre Müller Ribeiro. Campinas: Vide Editorial, 2013, p. 23. O autor também menciona o “conformismo” grupal como forte elemento de influência sobre o psiquismo, mencionando a experiência de Asch e acrescentando a experiência de Muzafer Sherif. Esta segunda consiste em colocar uma pessoa sozinha numa sala escura, solicitando-lhe a descrição dos movimentos de um ponto de luz. O ponto de luz está imóvel, mas o sujeito, sem maiores referências, logo acaba tendo falsas percepções de movimentos irregulares do ponto de luz (“efeito autocinético”). E esse efeito ilusório tende a agravar-se quando a experiência é feita com grupos que afirmam o movimento inexistente. Op. Cit., p. 19 – 20.

[23] Op. Cit., p. 24.

[24] LIMA VAZ, Henrique. Cultura e Universidade. Petrópolis: Vozes, 1966, p. 6.

[25] Op. Cit., p. 6. Cf. Original: DE WAELHENS, A. Existence et Signification. Louvain: Nauwelaerts, 1958, p. 143 – 167.

[26] RANGEL, Alexandre. As mais belas parábolas de todos os tempos. Volume III. Petrópolis: Vozes, 2015, p. 194 – 195.

[27] BOHM, David. Totalidade e a Ordem Implicada. Trad. Teodoro Lorent. São Paulo: Madras, 2008, p. 17.

[28] Op. Cit., p. 19.

[29] Dante reserva aos indiferentes um eterno suplício e o desprezo até mesmo do Senhor dos Infernos: "Essa sorte miseranda têm as almas tristíssimas daqueles que vivem sem infâmia, mas sem méritos. Estão misturados àquela hoste vil dos anjos que não se rebelaram e nem foram fiéis a Deus, mas que pensaram apenas em si mesmos. Foram expulsos do céu onde não cabem, e as profundezas do inferno os não recebem, já que alguma glória lhes trariam." ALIGHIERI, Dante. A Divina Comédia. Trad. Cordélia Dias D'Aguiar. Rio de Janeiro: Ediouro, 1989, p. 12.

[30] Schopenhauer descreve a “dialética erística” como “ a arte de disputar, mais precisamente a arte de disputar de maneira tal que se fique com a razão, portanto per faz et nefas (com meios lícitos e ilícitos)” (grifos no original). SCHOPENHAUER, Arthur. A Arte de ter razão. Trad. Alexandre Krug e Eduardo Brandão. São Paulo: Martins Fontes, 2001, p. 3.

[31] PERNOUD, Régine. Luz sobre a Idade Média. Trad. António Miguel de Almeida Gonçalves. Lisboa: Europa – América, 1997, p. 11.

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