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18 de Outubro de 2019

A "Mãe do Enem", parteira da ignorância, da futilidade e da degradação intelectual

Eduardo Luiz Santos Cabette, Professor de Direito do Ensino Superior
há 10 meses

A suposta "Educadora", conhecida como "mãe do ENEM", Sra. Maria Inês Fini, faz a "iluminada" afirmação de que "uma questão do Enem não faz ninguém virar homossexual". Ela nada mais faz do que dizer uma obviedade acachapante e fazer de conta que combate um adversário ou argumento inexistente, o que Shopenhauer diria tratar-se de uma "vitória sobre um espantalho" criado pelo próprio argumentador, recurso erístico da mais baixa desonestidade intelectual.

É evidente que uma questão do Enem ou qualquer espécie de sugestão ou assédio moral não vai tornar ninguém gay. E, ademais, se alguém quiser ser, agir ou tornar-se gay, isso é algo indiferente aos demais, uma decisão particular com a qual ninguém tem absolutamente nada a ver.

O que essa "Educadora" faz é, das duas uma: ou finge que não compreende o problema que compreende na verdade ou realmente não o compreende. No primeiro caso, age com sua erística e uma desonestidade intelectual tremenda (acredito mais nessa hipótese). No segundo, demonstra total inaptidão, inépcia intelectual em um grau tremendo, pois não entende que a questão não é jamais o problema de transformar alguém em gay por meio de uma questão de Enem (pode até haver algum inepto que diga isso, mas esse tipo de alegação é tão ridícula que nem deveria ser levada em conta, deveria ser encarada como uma espécie de "pensamento" exótico). Mais uma vez frise-se que o fato de alguém ser, agir como ou tornar-se gay é algo pessoal e livre, não cabendo a outrem se imiscuir ou criticar, não é motivo de orgulho, nem muito menos de desvalor, tal qual não o é ser heterossexual, bissexual, branco, negro, religioso, ateu etc. É apenas uma característica de um ser humano como outro qualquer. Portanto, o problema nunca foi ou será o suposto "perigo" (sic) de uma "transformação" gay! A questão diz respeito à absoluta inutilidade de uma pergunta referente a um dialeto que somente terá interesse para pessoas específicas em situações específicas, nada colaborando para a formação e informação do estudante, para seu futuro profissional, cultural etc.O problema está na politização estéril de um instrumento de avaliação que se pauta, não por conteúdos relevantes para o estudante, em sua missão (como estudante) de busca de conhecimento, mas no cumprimento de uma agenda ideológica determinada. Se ela não compreende isso, ainda que seja para discordar e contra - argumentar, então estamos realmente em uma situação muito complicada, com pessoas totalmente desqualificadas ocupando postos importantes na educação brasileira, o que explicaria nossa atual colocação no ranking mundial (vergonhosa). Se ela compreende e finge não compreender sequer o cerne da questão, pervertendo a discussão deliberadamente, então temos pessoas intelectualmente desonestas num grau elevadíssimo também ocupando postos importantes em nossa educação, o que, da mesma forma, explica o cenário de deterioração em que nos encontramos. De qualquer forma, é lamentável e tudo indica que realmente é preciso desconstruir, desaparelhar, desde as bases até o topo nosso sistema educacional, demolir e reconstruir com novos referenciais teóricos e novas práticas. E isso, infelizmente, não é fácil e não é uma missão a curto prazo. Além disso, já temos várias gerações perdidas, talentos jogados no lixo ou desviados por uma espécie de "lavagem cerebral", de "adestramento" do pensar. Uma coisa é certa: é urgente fazer alguma coisa para que pessoas como essa e tal sistema não se perpetuem nos rumos da nossa "Educação".

9 Comentários

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Com a devida licença, o título de "mãe do enem" à Sra. Professora é um pouco sensacionalista, pois o ENEM foi criado em 1998 durante a gestão do ministro da Educação Paulo Renato Souza (PSDB), não foi? no governo Fernando Henrique Cardoso, tendo sido modificado em 2009 no governo do Lula através do então ministro da educação, Haddad.

E em relação a questão. O foco que é dado à questão não é o correto, talvez seja por isso que é uma questão boa para ser aplicada, não porque como o próprio texto aduz "por trazer texto de comentando que tal dialeto foi abraçado pelos LGBT's" mas sim para testar o candidato quanto ao motivo do termo "Pajubá" (de origem africana) deveria ser considerado elemento do patrimônio linguístico brasileiro.

O candidato que discutisse com a questão amparado pela "moral interna em não concordar com o simples texto que contextualiza o dialeto" e não pelo entendimento da linguística, com certeza erraria.

Tanto é que nas opões (A,B,C,D,E) não se vislumbra alternativa de cunho moral ou que façam menção à comunidade LGBT favorável ou contra, mas tão somente de cunho linguístico e interpretativo, além de contextualizar com a cultura africana iorubana introduzida no país. continuar lendo

Quanto à sua defesa da questão, está no seu direito de contestar e o fez com a devido enfoque e não com o erro ou a deliberada cegueira da "Educadora" em questão. Por isso, não coloco em discussão, já que pode ser um ponto de vista, diverso do meu, mas que merece ser analisado por todos. Apenas algumas ressalvas, só para não deixar algum mal entendido: não sou eu quem atribui à "Educadora" o apelido de "Mãe do Enem", isso consta na notícia respectiva do Uol, como sendo algo corrente na comunidade educacional. Também, como penso que ficou claro e evidente no meu texto, a questão não é trazer ou não algo da cultura LGBT, a questão é explorar conteúdo inútil. A ideologia está exatamente no adestramento, no direcionamento da postura, da conduta e até do pensamento, como o Sr. mesmo indica ao especificar que aquele que tiver um outro entendimento moral e o aplicar de algum modo na questão, será prejudicado. Ora, isso é uma forma sutil de induzir comportamentos, já ultrapassa a mera chamada "doutrinação" para adentrar no "adestramento", na indução comportamental que procura moldar a moral, o pensamento de uma pessoa a um modelo prévio e externo ao indivíduo. Trata-se de técnica de reengenharia social baseada em dissonância cognitiva (recomendo a leitura para todos do livro de Pascal Bernardin, "Maquiavel Pedagogo"). Ao fim e ao cabo, o erro do candidato seria, ainda que minimamente, não se amoldar de alguma forma ao pensamento, à moral do politicamente correto, que é o que há de mais arbitrário, reacionário e inflexível. Pior, isso é feito, como o Sr. mesmo demonstra, de forma insidiosa, como uma espécie de "armadilha" intelectual e sentimental. Deplorável. continuar lendo

Retiraria tudo o que disse se alguém me apresentasse uma única obra da literatura universal, de qualidade cultural reconhecida, escrita ou ao menos traduzida para o Pajubá; um contrato qualquer escrito e registrado em cartório no mundo dos negócios ou jurídico, escrito em Pajubá; uma petição de um advogado, acatada pelo judiciário, em Pajubá ou então uma manifestação ministerial ou judicial, não afastada ou reformada escrita em Pajubá; a exigência de proficiência linguística em Pajubá para algum programa de pós - graduação, mestrado ou doutorado em qualquer lugar do mundo; uma lei escrita em Pajubá em qualquer lugar do mundo; uma obra filosófica reconhecida escrita em Pajubá. A lista poderia ser infinita. Paramos por aqui. A questão serviria também se a pergunta fosse sobre linguagem de cadeia, gíria de marginais, gíria de hospício, gente que fala com as palavras com as letras invertidas, gíria de circo etc. Não é a questão de LGBT, sexo, orientação sexual, gênero, nada disso. Todas essas outras linguagens existem, mas só têm interesse específico, são inúteis no que tange à formação e informação das pessoas em sua preparação estudantil, onde se espera uma formação cultural e preparação para a atividade profissional produtiva na sociedade. Essa é a questão. Não gosto de expressar obviedades como o fiz agora, pois fica parecendo que as pessoas precisam ouvir isso porque são de uma boçalidade paroxística. Entretanto, cada vez mais isso tem sido necessário. Infelizmente. Talvez exatamente por causa dos rumos pervertidos da nossa "Educação". continuar lendo

Mais uma militante colocada em local estratégico pela turma do PT. Mais uma de tantos milhares que estão espraiados por aí, em todas as áreas e em todas as esferas do poder. continuar lendo

Recorte abusivo sem permissão na postagem dos outros , não é legal principalmente se a informação não se encontra no perfil. continuar lendo

não vou fazer nenhuma crítica porque sei como essa classe é continuar lendo

Preconceito???? Vc não é da resistência e contra o preconceito? Mas, é o primeiro a agir com preconceito! Que classe? Vc conhece alguém? Sabe as origens? E se soubesse, o que isso, aprioristicamente, teria a dizer sobre as pessoas? Nada! A não ser por um preconceito de classe. Realmente, é melhor não fazer crítica alguma porque em uma linha já demonstrou que não sabe escrever direito, pontuar e que tem um pensamento circular e preconceituoso que não leva a lugar algum. Ademais, quanto mais falar e escrever, mais vai comprovar que a "Educação" nos moldes atuais apregoados por essa "Educadora" realmente não funciona, vc é um exemplo disso, escrevendo apenas uma linha, imagine se escrever mais! Grato por comprovar minha tese. continuar lendo